Cleiton Oliveira

Consumo excessivo: necessidade ou compulsão?

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consumo excessivo

Trocar de carro ou celular, comprar a desejada bolsa ou não resistir àquela blusa da vitrine e levar logo uma de cada cor… Até que ponto essas atitudes podem ser consideradas habituais?

Atenção: a medida pode estar na dificuldade em não ceder ao desejo e torná-las obrigação, mesmo quando as necessidades do cotidiano podem estar sendo comprometidas.

Isso sem contar outras consequências, como ver a casa abarrotada de coisas sem utilidade e o saldo comprometido.

Dificuldades em lidar com frustrações como a de encarar o espaço existente entre algo idealizado e o que aquilo que é, de fato, possível de ser realizado podem ser acompanhadas pelo desenvolvimento de escolhas alternativas e nem sempre adaptadas, com a mesma função de obtenção de satisfação.

Dentre estas, podemos citar o consumo excessivo de bens ou produtos ou até mesmo o gosto pelos jogos ou a dependência de um relacionamento.

Consumo Excessivo

Consumo excessivo

Comprar excessivamente pode ser um evento, interpretado por nosso cérebro como algo que traz um alívio ou prazer momentâneo.

Uma sensação de controle ou de “recompensa”, que ativa justamente as áreas responsáveis pelo bem-estar em nosso complexo sistema de funcionamento.

No entanto, as compras frequentes e desproporcionais, podem transformar-se em dependência, acompanhadas de prejuízo e sofrimento, chegando a comprometer esferas como relacionamentos e orçamento familiar, por exemplo.

O “comprar descontroladamente” é classificado como um Transtorno de Controle de Impulso no DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

Tendo como principal característica a falha em resistir ao impulso de realizar um ato que é prejudicial ao indivíduo ou outras pessoas.

A exposição constante e inevitável às estratégias do comércio, que acaba por determinar o que seria importante ou conveniente acaba sendo uma das variáveis que reforçam esse padrão.

Problemas do Consumo Excessivo

É comum encontrarmos pessoas que sofrem por não se sentirem parte integrante de um grupo determinado, ao qual gostariam de pertencer.

Muitos chegam a fazer dívidas para comprar objetos ou bens materiais que não seriam realmente necessários por alimentarem a “crença” de que se tornariam mais felizes após adquiri-los.

Como consequência, além de terem que encarar o fato de que a felicidade não resistiu após o gasto, ainda precisam, muitas vezes, arcar com os custos desproporcionais ao orçamento próprio.

A autoconfiança, quando não é bem desenvolvida nas experiências de vida, também caracteriza um padrão de dificuldade em posicionar-se e dizer “não” aos apelos, uma vez que pode existir uma regra ou crença individual de que é impossível viver sem a aprovação social.

Quanto maior a expectativa de ser aceito, mais elevado o padrão de auto-exigência, acompanhado de mais e mais sofrimento.

Porque ser aceito não depende exclusivamente da ação individual ou vontade própria, mas de uma série de variáveis, dentre as quais também da vontade do outro, que é parte da relação.

Solução para o consumo excessivo

O imediatismo imposto em nosso cotidiano, pode ensinar estratégias para suprir, momentaneamente e de forma disfuncional, algumas lacunas provocadas pela falta do que foi interpretado como necessidade.

Muitas vezes, pode parecer bem mais fácil e confortável aceitar um parcelamento interminável no cartão de crédito, a fim de que seja adquirido o objeto de desejo do que privar-se, a fim de obter um segurança ou um prazer maior futuro.

Cuidar-se implica em observar o que precisa ser mudado e dispender a energia necessária na modificação do que gera desgaste.

A cada dia nos tornamos mais imediatistas, buscando resultados práticos e rápidos, correndo o risco de cedermos ao alívio momentâneo proporcionado por algumas atitudes que, embora pareçam a solução dos problemas, podem trazer dependência e sofrimento.

Após a maratona de compras, instalam-se as culpas, o medo e a necessidade real de reparar um dano que poderia ser evitado, caso houvesse o treino de colocar o autocuidado como prioridade nas relações.

Tatiana Berta Otero*

*Psicóloga (CRP 06/93349), Life Coach, Especialista em Terapia Comportamental Cognitiva (USP), Mestre em Saúde Coletiva pelo Depto de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)

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Cleiton Oliveira

Sobre o autor | Website

Life Coach, Educador Financeiro e autor do livro Economizar sem perder o prazer de viver -Site www.economizareviver.com

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